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A vida depois dos 30 . Cap 6

17 mar

III Maria Estela:

A minha lindona apareceu cheia de novidades e um sorriso escandaloso no rosto.

- A sua noite foi uma beleza né Samantha ? – Pergunto eu, com ironia em meu rosto
– Nossa, foi ótima, aproveitei bastante… E a sua como foi? Vi você com um rapaz bonito – (risos) Quem era?
– Sebastian. Um cara que conheci no café outro dia.
– Mas e aí me conta? Deveria estar animada !?
– Pois é, mas só somos amigos, que temos problemas incomuns. Tentamos  ajudar um ao outro.
– Broxante  Maria, sério ! Me desculpa, mas a sua fossa já deveria ter curado, afinal você já esta separada tem três anos.  Está mais do que na hora de superar isso.

Levando um sermão daqueles da Samantha, fiquei até sem graça de responder.  Até porque de certa forma ela estava certa.

- Olha pra mim mulher… E diga. Achou o tal Sebastian interessante?
– Sam aqui não é lugar. Vamos embora – Disse eu num tom bravo.
– Okay okay, a senhorita é quem manda. Mas não pense você que eu vou esquecer esse assunto.

Entrei no carro de Samantha, e ela me deixou em casa. E não é que a espevitada entrou!?

- Da lhe licença  Maria mas você vai me contar tudo. Anda… tintin por tintin. – Samantha se jogou no meu sofá e ficou lá, de braços cruzados esperando a minha resposta. Fui até a cozinha peguei um copo de água e gritei de lá:

- O que você quer Sam? Já ta tarde!
– Não foge do assunto vem aqui.
Fui sentei-me na ponta da mesinha de centro e disparei o meu discurso sobre Sebastian.

- Sam eu seria hipócrita dizendo que ele não é bonito, é lógico que o cara é lindo, mas nossos mundos estão bem distantes. Ele ama uma mulher que já esta morta, tem uma filha de poucos meses dela, e vive por essa filha, ele mesmo disse. Eu até dei encima dele, e que Deus me perdoe  eu acho que não é certo e me senti mau.

- Maria, mas você não fez nada, quem sabe com o tempo essa amizade não vire algo a mais…
– Não Sam, não! Eu quero outros mundos, ver outras coisas. Não quero mais me envolver por enquanto em um romance, ainda mais assim… Confuso.

- Está certa. Mas e aí vai rolar aquela viagem?

A vida depois dos 30. Cap 5

6 mar

Percebi o que tinha acontecido, e me afastei dele, aparentemente eu também tinha ficado constrangida com a situação a qual eu me submeti. Cara eu podia ter pensado “ Poxa, ele acabou de perder a mulher, e tentando recomeçar a vida, e eu aqui tentando “seduzir ” ele.” Ai ai, a cada dia que passa eu to ficando mais vulnerável, e me atirando a qualquer um que sorri pra mim, e me escuta.
Voltei para o bar, e gentilmente Sebastian se despediu de mim, com um gostoso beijo no rosto, e um até logo cheio de doçura e esperança de nós nos encontrarmos novamente. Continuei ali, esperando uma aparição da minha lindona, que sumiu no ar.

II ( Sebastian )
Sebastian chegou em casa por volta das 2:30 da manhã , bem desanimado, cansado e com fome. Atravessou a sala em passos bem leves para não acordar ninguém, ao chegar na cozinha e pôr a comida para esquentar, Serena acordou, chorando, só que um choro bem baixinho. Sebastian ao ouvir o choro de sua filha sorriu, sorriu aliviado, um riso apaixonado, ali naquele pequeno choro estava todo o sentido de sua vida, a força para ele continuar.
Então Sebastian foi até o quarto onde Serena estava dormindo, pegou-a no colo, e começou a ninar ela.

- Serena, Serena tão linda quanto o doce luar, minha filha minha pequena, dorme, dorme, minha querida Serena.

E aos poucos Serena foi pegando no sono, e a comida de Sebastian queimando no fogão. Dona Olívia, mãe de Sebastian acordou devido ao cheiro da comida queimada.

- Querido o que está acontecendo ?
– Eu estava esquentando a comida, só que a Serena acordou e eu acabei me esquecendo totalmente da comida.
– Tudo bem querido, Como foi lá no clube?
– Nada demais, só reencontrei uma pessoa que conheci à poucos dias.
– Quem?
– Maria Estela… você não a conhece.
– E por que nunca me falou dela?
– Porque não tivemos nada, além de uma conversa sobre os nossos mundos.
-E o que essa moça tem de tão parecido com você?
– Nada ! Além de não ter mais o seu amor….
– Como assim? O marido dela também morreu?
– Não se separou dela.
– Por que?
– Bom, isso ela não quis me dizer, mas ela ta bem magoada.
-Acontece… ela deve ter sido traída.
– Ao que tudo indica sim. O pior de tudo que é uma mulher tão bonita, mas se você olhar no fundo do olho dela há uma tristeza inimaginável, chega a doer.
– Então o senhor reparou nela!?  (risos )
– Mãe, eu ainda não sou cego, ela é uma mulher bem bonita, inteligente. E tudo, mas para agora deixa ela só ser uma amiga. Eu acho que no fundo no fundo eu nunca vou esquecer a Gáia, ela foi a mulher da minha vida, me deu esse presente mais lindo de todos, e nossa história foi tão perfeita, que custo a acreditar que ela me deixou, sem ao menos me preparar, sem ao menos me deixar dizer pela última vez que eu faria de tudo para que ela ficasse comigo.

Sebastian fica com o semblante triste, e uma lágrima rola de seus olhos.

- Meu querido não fique assim, tinha que acontecer,Deus nunca é injusto com ninguém já era a hora dela, ela já tinha feito a sua missão, e deixou uma para você.
– Não é justo mãe, não é justo, a gente planejava isso juntos. Eu sonhava com ela sentada naquela cadeira de ninar, amamentando a Serena, sonhava com ela me ajudando a cuidar da nossa pequena. Era tudo a nossa vida, e eu não a tenho mais comigo, ela era a minha força a senhora sabe disso.
– Eu sei querido, eu sei o quanto ela te deu força quando você precisou, eu sei que ela te estendeu a mão quando muitas pessoas te davam as costas. Mas ela te transformou, e talvez fosse essa a missão dela. Te transformar numa pessoa melhor. Agora é melhor você ir dormir, já está muito tarde.

-Tudo bem… – Sebastian beijou a testa de sua mãe, e levou Serena para dormir. A colocou no berço, ele se jogou na cama. E se pôs a pensar em Gáia.

A vida depois dos 30. Cap 4

20 fev

Dançamos, cantamos… e , quando  já estávamos  cansadas, fomos pegar uns drink’s  no bar .Quando ouço  uma voz baixinha vindo da minha direita. “ Maria Estela !?”- Gelei, era uma voz desconhecida, não tão desconhecida assim ,já tinha ouvido uma parecida. Me virei e tive uma surpresa, era Sebastian.  O cara que encontrei no café hoje mais cedo.
– Olá Sebastian, como vai ?
– Indo, e você ?
– Indo também…
– O que ouve? Brigou com o marido ?
– Bom a briga foi com o meu ex marido.
– Nossa, jurava que era casada!
–   Bom já fui, mas águas passadas…. – Meus olhos “caíram” , chegaram ao chão, realmente eu não estava bem .
– Posso fazer alguma coisa para te ajudar?
– Não , que isso, não se importe, isso passa !
– Tem quanto tempo ?
– Bastante tempo já…  Mas vamos mudar de assunto.  Me fale de você . – Sorri na esperança de trocarmos de assunto.
– O que você quer saber Maria? – Sebastian picou o olho direito para mim .
– Sobre seus relacionamentos, vida profissional , enfim essas coisas .
– Sou “viúvo”, tenho uma filha de poucos meses, que hoje esta com a minha mãe. E  trabalho no jornal, na coluna de esportes .
– Nossa que máximo…  –Sebastian me olhou com expressão de dúvida.
– A parte da coluna de esportes, e de ter uma filha…  – Fiquei extremamente vermelha.
– Ah sim! Acho que esses são os meus maiores presentes. Minha filha é tudo na vida.
– Como se vira, com ela ?
– É complicado, mas minha mãe me ajuda. Hoje eu só vivo para ela .
– E veio se divertir um pouco ?
– Digamos que sim – Risos –  Minha mãe, meio que me obrigou a vir. Disse que eu estou ficando muito tempo preso dentro de casa com a Serena.
– Entendi . – Pego meu copo, e dou uma golada. – Quer dançar?
– AAh…
– Vêem anda !! – Pego nas mãos de Sebastian e  o puxo para a pista de dança. Nossos olhares se cruzam, sorrio, e deu uma piscadela para Sebastian, que imediatamente ficou tímido.

A vida depois dos 30 ! Cap 4

4 fev

- Carlos … querido existem mil Marias  no mundo!
– E perdoe-me… Mas então como vai?
Cínico, como se propôs a dizer isso ! – pensei – No entanto sorri.
– Estou bem , melhor a cada dia !
-É estou vendo, ta mais bonita e confiante de si.
– Acho que tenho que lhe agradecer…
Ta eu não precisava ter dito isso fui rude, tadinho. – Com o rosto baixo, Carlos disse:
-Éh.. foi uma pena, ter chego ao fim .
– Pois é !  E como ta? Namorando, casado ?
– Nada ! Depois da separação tive um relacionamento, mas não deu certo .  Pausa- Olhei nos olhos dele firme.
– Não adiantou nada me trocar por ela, ela te trocou por outro.
– Maria, para não vamos brigar aqui !
Poxa caramba, meu coração doeu, e ele me pede pra parar. !
– Tudo bem Carlos, me desculpe, não queria ter sido rude. Mas eu preciso ir, tenho que encontrar a Samantha ainda…
– Ainda são amigas né?
– Aham! Tchau
-Maria! Espera!
– Que foi Carlos!?
– Me dê um beijo… – Dei um beijo no rosto de Carlos, e ele me abraçou.
Merda! Meu mundo se desestabilizou , com um abraço.  Ele olhou no fundo dos meus olhos, e me deu um sorriso.
Fui embora o mais rápido possível, nem comi o meu almoço delicioso, com arroz branquinho, batatas fritas, e um bife gigante de picanha.
Cheguei em casa meio amoada, comi um miojo, e fui terminar uns trabalhos. Quando vi o relógio já batia 8 horas da noite, levantei apressada, peguei o vestido de dentro da sacola ( eu que não ia passar ), retirei só as etiquetas, e fui para o banho.
Saí do banheiro linda, apesar de não estar me achando muito assim nos últimos meses. Coloquei meu par brincos vermelhos, prendi um rabo de cavalo no alto da cabeça, fiz uma maquiagem leve, com a boca bem vermelha, e esperei Samantha.
Ela chegou, radiante, toda trabalhada no verde água rendado, apaixonante. Sim ela estava pronta pra atacar!
– Querida, como estou ? – Risos
– Divina, uma diva! – Risos
– Obrigada Maria ! E esse seu vestido, comprou aonde?
– No shopping. Amiga nem te conto quem eu encontrei lá…
– Quem?
– O Carlos!
– Nossa !! Como você ta?
– Bem! Mentira, to destruída…
– Mas vai ficar bem!! Vamos embora logo então !
– Vamos …
Peguei minha bolsa, e entrei dentro do carro de Samantha. Passados uns 30 minutos, chegamos ao clube, bom  era uma balada, com várias pessoas novas, que deveriam ter metade da minha idade. Okay, exagerei um pouco mais do que a metade de minha idade.

A vida depois dos 30 ! Cap 3

29 jan

Fiquei sozinha em casa, pensei em cancelar tudo com a Samantha, e ir na padaria comprar um pote de sorvete e assistir novela mexicana. Porém pensei, “ Não! Que isso, quem é ele pra me fazer sentir  como um nada?. Pode para com os pensamentos negativos Maria Estela. Onde já se viu uma mulher linda dessa ficar gorda, e cheia de celulite por causa de homem. Não, você não é assim.”
Depois desse belo pensamento, fui ao meu quarto peguei a minha melhor roupa ( básica, pois, estava indo ao shopping , e fui tomar banho. Fiquei lá por uns 30 minutos ( que me perdoem os ambientalistas, mas era necessário). Descei como uma louca as escadas do meu apartamento , tomei o primeiro táxi que vi em direção ao centro.  Chegando ao shopping, corri para as lojas de roupas, e cara parecia que eu não fazia isso a muito tempo, cheguei a ficar com medo das vendedoras, todas na ânsia de querer vender o máximo de roupas possíveis para mim.  Mas escolhi para a ocasião um vestido preto bem básico, com um decote nas costas bem audacioso, o resto da composição faria em minha casa. Parti  rumo a praça de alimentação , estava com uma fome louca, que acho eu, cabia um leão que não ia fazer mal. E passando entre  as cadeiras um pouco atrapalhada, ouvi lá no fundo – “MARIA” – fiquei calada e sentei, e persistiu – “MARIA”- pensei, que diabos de Maria é essa que não responde. Nisso senti  uma mão quente nos meus ombros.  Olhei de rabo de olho.
– Maria to te chamando, e você se fazendo de surda … – 1 Segundo para vocês tentarem adivinhar quem era! Não sabem né?
Era o dito cujo, o falecido…. Sim!! O Meu ex marido

A vida depois dos 30 ! Cap 2

22 jan

Desliguei o telefone e fui arrumar o meu almoço. Mas quando eu olhei para a minha trágica  geladeira tomei um susto , só possuía fest-foods, fiquei com a consciência pesada  de comer tudo aquilo. Peguei novamente as chaves e fui a um supermercado do bairro mesmo, aquele que tem tudo o que você deseja e que os funcionários são super simpáticos . Comprei algumas verduras, um peixe e várias especiarias. Chegando dei por mim o porque que o  meu casamento não deu certo. Eu não fazia a menor ideia  por onde começar a fazer o meu almoço, pobre Carlos que me aturou por 3 anos com comidas prontas ou pedidas pelo telefone.
E o meu dia foi assim, sem emoções até o fim dele, permaneci sozinha refazendo alguns trabalhos da empresa e estudando para uma reunião que valeria a minha vida naquele emprego que eu não gostava muito, mas que me rendava um bom dinheiro. Dormi ferrada, e acabei sonhando com Carlos, acordei nos pulos e lembrei que as 9:00 hrs iria chegar o Marco.
”AAH  que  falta me faz Marco e uns  12 anos a menos, os tempos de faculdade, dos nosso romance rápido, porém muito bem guardado em minha memória”. Perdi o tempo, lembrando de minha fase com Marco e em questão de segundos touco a minha campainha, era o eterno e lindo Marco , o tempo foi bem bondoso com ele, já quer era bem magro na faculdade. Ao olhar ele trabalhando me arrependi de não ter aceito o seu pedido de namoro. Juro que por alguns segundos pensei em dar encima dele, mas não convinha ao momento. Marco era reservado e do tipo de ter família montada e cenários de comercias de margarina .
Pensando bem fiz certo não ter aceitado o pedido de namoro dele. Carlos era completamente ao contrário, os três anos que passei ao lado dele, foram os melhores de minha vida, pena que acabou, e eu já chorei tanto que sequei todas as lágrimas que possuía.  E todos sabem que, para curar um amor, só ter outro em sua vida. Tudo bem que eu não vou  sair por aí que nem louca tentando arrumar o primeiro cara que parecer  na minha frente, e resolver assim de um hora para outra me apaixonar por ele. Fui bem além … peguei o telefone  e liguei para Samantha, uma amiga do trabalho,  a única que tive depois do casamento .
-Oi? Samantha
-Olá Maria, como está
-Estou bem, e você ?

-Tudo certo por aqui também.
-O que fará hoje a noite?
– Bom por enquanto não tenho nada em mente, porquê? Pensou em algo ?
-Então estava pensando em sair ir para um lugar bem diferente…
-Pensando em sair da área de conforto né? (risos)
-É claro, não aguento mais ficar em casa lembrando do meu ex marido, isso é muito torturante.
-Beleza então vamos num clube aqui perto da minha casa, as noites lá são boas. Bom é o que dizem.
– Okay, não custa nada tentar. Que horas que começa?
– Ah lá para umas 23:00 que fica bom.
– Ótimo te encontro as 22:30 aí na sua casa, para irmos.
-Ta bom Maria, até lá. Beijos Beijos
-Beijos, Tchau!
Voltei para sala, e Marco estava terminando o seu serviço. Ajeitando tudo nos mais perfeitos detalhes, ele sempre foi assim.
-Maria, já estou acabando aqui, e amanhã volto para terminar os outros cômodos. Tudo bem ?
– Tudo certo querido, não precisa ter pressa. – Sorri
E ele virou um lindo sorriso de volta, que para qualquer mulher separada é motivo de loucura, ainda mais para mim que já tinha sido apaixonada por ele. Mas me reservei.
-Mas me fala Marco, como anda a vida? Esta casado? – Torci para ele dizer. NÃO, EU NÃO ESTOU !, mas ele disse: SIM EU ESTOU, E A AMO MAIS QUE TUDO.
Pronto, foi o bastante para o meu mundo cair em pequenos segundos, queria por Deus que ele fosse embora dali os mais depressa possível. E ele foi, acho eu que sentiu o clima pesado.

A vida depois dos 30. Cap 1

18 jan

É incrível como tudo hoje é muito obvio,desde de uma simples conversa com a qual você já sabe a resposta, até declarações de amor copiadas e eternamente gravadas, e repetidas ociosamente por quem as utiliza.
Em um simples passeio pela cidade, pude perceber como tudo parece mais tedioso, mais sem vontade, sem brilho, apesar de ainda encontrar algo que me chame a atenção. Ao atravessar a Paulista reparei em uma mulher de cabelos ruivos presos no estilo anos 60, bom toda a composição de sua roupa era assim, e com ela estava a filha, sorridente caminhando para escola… sorri imediatamente foi algo que me confortou, elas eram um ponto diferencial em uma rua tão movimentada. Esse fato me motivou a procurar mais personagens que transmitisse algo de genuíno em pouco tempo.
Ao passar pelo parque encontrei um senhor de cabelos grisalhos, com um olhar triste ,sentado em um banco de madeira, perdido na imensidão de tempo que passara de uma forma rápida. Fiquei imaginando o que se passara na cabeça daquele senhor, e supôs que seria algo mais ou menos relacionado como tempo que passou ali, e todas as pessoas que conheceu, e que hoje não são mais encontradas por falta de contato ou por desastre ….Pensei seriamente em ir conversar com ele, porém ao me direcionar em sua direção, ele levantou e foi embora. Devo ter perdido uma boa e longa conversa. Chegando próximo as 11:00 da manhã, senti uma tremenda fome, reparei que tinha um café na esquina ( padaria para os mais chegados), entrei sem dó e nem piedade, pedi um café expresso e algumas torradas. Ao fazer minha bela refeição passara por mim um homem, belo homem, de barba cerrada olhos castanho escuro,e bem agasalhado . Observei-o por alguns segundos, e a falta de atenção dele era algo surpreendente. Como uma pessoa pode ficar horas no frio sem dar uma golada em algo que pelo cheiro me parecia capucino? Ele passava o dedo na borda do copo, olhava as pessoas pela vitrine, reparava em tudo. Mas a cabeça dele não estavam nem um pouco naquelas pessoas, e como sou muito curiosa senti a imensa necessidade de saber o que se passara com ele.
Fui me aproximando ainda tímida, perguntei ele aonde tinha uma floricultura por perto. Imediatamente  ele me respondeu, que havia uma a duas quadras da li.Sorri, e me levantei agradeci a informação, e fui embora meio decepcionada, creio eu que a depressão dele me pegara por alguns segundos.  Na rua pude ouvir, um grito insistente dizendo ” Moça, moça!!!” Olhei para os lados e nada, o grito persistia “Moça, Moça!! ” Olhei para trás, e era o dito cujo me chamando. Parei e fiquei esperando.
“Moça, você esqueceu seus luvas ”  agradeci, olhei, e me virei, ele pegou em minha mão e disse:
“Espere um segundo, você disse que era nova aqui e que precisa chegar em uma floricultura certo ? “
-Certo
“Eu a levo até lá”. Educada eu, agradeci e disse que não era necessário, mas ele insistiu. Então seguimos pelo caminho, e ele começou a conversar comigo.
– Desculpa a minha falta de atenção  lá no café, ultimamente não ando muito bem
Sorri – Tudo bem…
– E que a todos os anos desde de que minha esposa faleceu, eu tomo meu café da manhã naquele lugar, aonde nós nos conhecemos.
-Se não quiser falar sobre isso fique tranquilo .
– Não! É necessário, me prendo a tanto tempo e não tenho uma conversa sadia a muito tempo ainda mais com uma mulher.
Olhei ele e as coisas que estavam a minha volta, e não via a hora da floricultura chegar, porém ele me prendia muito com o seu jeito de contornar aquela situação que para ele era difícil .
-Você me lembra ela, não fisicamente mas o jeito de me olhar timidamente .
Eu não sabia aonde enfiar a cara,e nem o que falar, o jeito foi olhar para o chão.
– Não precisa ter medo de mim… -sorriu ele- Chegamos !
– Obrigada por me trazer, e boa sorte na vida.
– Desculpa perguntar mas como você se chama?
– Maria Estela! e você?
– Sebastian
– Até qualquer dia Sebastian
– Até- sorriu e foi embora.
Virei as costas sem olhar para trás e entrei na floricultura, permaneci lá por uns dois minutos acabei por comprar um buquê de flores do campo, pequeno e singelo, porém levaria alegria a minha casa cinza. Ao conhecer Sebastian resolvi mudar a minha vida, aqueles 10 minutos que passamos juntos foi muito útil para mim.
Cheguei em casa e comecei a despregar todas as fotos do meu antigo casamento, e tudo o que lembrava aquela fase, não que não tenha sido boa, mas acabou como hoje em dia tudo acontece.  Em 1 hora coloquei tudo em uma lata de alumínio e queimei e as cinzas restantes joguei pelo ralo do banheiro.  Liguei para um amigo que era decorador…
– Alô…
-Marco !?
– Sim é ele, quem é ?
– Maria Estela, lembra de mim ?
– É claro que sim, como está não a vejo desde da festa de casamento…
– To indo, o casamento não deu certo, infelizmente só durou 3 anos.
-Me desculpe, na..
-Tudo bem, você não tem culpa. Mas então estou precisando de sua ajuda.
– Certo, com que?
– Preciso que você venha em minha casa rede core.
-Tudo certo é claro que eu posso ir, só me falar o dia que eu passo aí e dou uma olhada em tudo.
-Você está com tempo livre amanhã, to querendo isso o mais depressa possível.
-Está bem, passo aí pela manhã pois é o único horário livre. Tem alguma importância ?
-Não está perfeito, estarei te esperando.
-As 9:00 ?
-Tá ótimo pode vim. Agora eu preciso desligar, vou fazer a meu almoço.
(risos) – Okay, até amanhã.

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